Recentemente eu
li o livro Um dia, romance inglês de David Nicholls. Na verdade eu
só me interessei porque foi recomendado pelo Nick Hornby e pelo Tony Parsons,
dois dos meus autores preferidos, ambos ingleses. Pois eles estavam certos, o
livro é delicioso, daqueles que a gente devora sem ver, e eu recomendo não só o
livro como também o filme que chega por aqui em novembro. A história é
belíssima, sobre os desencontros de um casal ao longo de duas décadas e como o
tempo muda essas pessoas. Mas o que me ligou ao livro foi uma frase. A certa
altura, o narrador diz sobre o imaturo Dexter Morley: "ele queria viver a
vida de tal modo que, se fosse fotografado ao acaso, a foto saísse
bonita". Fiquei intrigado.
Sair bonito na
foto é a glória de gente que quer aprovação. Gente que quer ser amado, causar
uma boa impressão. Gente que quer sair na revista, de quem é flagrada "sem
querer" de biquíni no Arpoador. Mas e quando a foto não sai bonita? Porque
ninguém consegue ser a bailarina, daquela cantiga do Chico Buarque, que não tem
pereba, nem lombriga, nem dente com comida, nem goteira no meio da cozinha...
Resumindo, com exceção da bailarina, todo mundo tem aqueles momentos "zero
glamour" em que nem posando dá uma foto decente.
A vida não é um
comercial de refrigerante, onde tudo é glamouroso, as pessoas são bonitas
com uma pele incrivelmente sedosa. No dia-a-dia tem fila de banco interminável,
onde a gente pragueja internamente a cada velhinho que aparece pra furar a fila.
Tem aquela fechada no trânsito, que te obriga a falar aquele palavrão a
trocentos decibéis. Aquela pisada no cocô do cachorro na calçada. Aquele calor
infernal que rende uma pizza em baixo do braço. A moeda que cai em baixo do
balcão, a bebida derramada na camisa branca. Isso dá uma foto boa?
Depois de muito
matutar, eu, que nunca saio bem na foto, cheguei a uma conclusão: a foto só sai
bonita quando se olha bonito pra ela. Simplista? Nem tanto. Todo mundo aí morre
de dar risada ao ver fotos antigas, não? As roupas cafonas, os cabelos
pavorosos as situações constrangedoras... Mas ao rever parece que a gente
desculpa aquelas pessoas das fotos, que eram tão jovens, nem eram tão gordas
assim, olha esses sorrisos, tão puros.
Eu
definitivamente nunca vou sair bem na foto, nem se eu posasse pra Anne
Leibovitz. Me sinto desconfortável, sempre fecho o olho na hora, um desastre.
Mas eu decidi ser mais condescendente comigo. Uma foto é só um instante, sem
antes, sem depois. Se alguém achar que nesse mísero segundo eu pareço alguém
legar, ok, se me achar um monstrinho saído de um clipe da Gaga, paciência. Eu
quero viver a vida de modo que se for fotografado ao acaso, não saia no Ego. O
resto é lucro.

Terminei o livro ontem, realmente incrível!!! Muito bem escrito o seu texto, aliás, sou alguém que raramente sai bem nas fotos... a maioria das vezes nem chego a ser um monstro da Gaga, na melhor hipótese um gremlim em sua versão pós meia-noite!!! Rsssss
ResponderExcluirmais um espaço curioso, hein Seu Junior? legal seu post... não curto muito tirar fotos pq não sou fotogênico, mas é como vc disse, é apenas um momento!
ResponderExcluirum abraço!