Não sou um grande fã de luta. Tirando boxe, eu nunca sei
qual modalidade é qual. Vale tudo pra mim sempre foi uma novela e até esses
dias, UFC era tão somente a Universidade Federal do Ceará. Mas nem se eu
estivesse no meio do Atacama, sem contato com a civilização eu deixaria de
saber quem é Anderson Siva, o campeão mundial (perdoem minha ignorância, mas o
título é mundial, não?) da modalidade. O rapaz está em todas.
Pois bem, apesar de não ter visto o tal chute que nocauteou
o Viltor Belfort, soube que foi um golpe e tanto, que a luta foi o embate do
século e essas coisas todas que a imprensa fala sobre campeões. Mas por que
falar sobre um atleta cujo esporte não me é caro? Ora, porque apesar de ser
pago pra dar pesadas e joelhadas no octógono, as
entrevistas dele na TV mostram que o homem é um poço de delicadeza.
E não, não é da voz dele que estou falando. A fama repentina, aliada à natureza
da luta-livre poderiam torná-lo um bad boy, orbitado por bebedeiras, namoradas
descartáveis e brigas em boates. Mas Anderson Silva não vai a boates. Fora do
mundo do UFC, é um pai de família que se diverte jogando video-game com os
filhos e chama a mulher de namorada. Um fofo.
De música brasileira eu entendo um pouco e gosto muito. E
tiete que sou da Marisa Monte, fiquei surpreso e feliz com o clipe de Ainda Bem,
em que a cantora troca uns passos de dança com ninguém menos que Anderson
Silva. O Spiderman, com aquele tamanho, com aquela cara de quem vai dar
uma pesada no nariz de alguém, dança. E dança bem, o danado. Sobre o clipe, a
cantora disse: "Fiquei
fascinada pelo fato dele ser The Champion e ter dança nos pés e os contrastes
que isso sugere: força e delicadeza, peso e leveza". Taí, Marisa disse
tudo, onde há força pode haver delicadeza. E com isso eu não estou
pregando a falta de virilidade, pelo amor! Mas a delicadeza anda cada vez mais
em extinção, num mundo onde todo mundo tem de se posicionar pra garantir o seu
espaço, onde é preciso gritar para ser visto e onde confundem firmeza com falta
de educação.
Não condeno
a objetividade, a personalidade forte, a impulsividade, todas essas qualidades,
mas acho que a delicadeza, essa sumida, precisa ser resgatada em pequenos
gestos, como um olhar, um elogio, um pedido de desculpas. E porque não, uns
passos de dança de vez em quando?
